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Governo |
20-08-2026 17:24:45
| Fonte: CIPRA
TRANSPORTE DE MERCADORIAS
Novo eixo ferroviário vai reforçar escoamento da produção nacional
<p>Angola está a desenvolver um novo eixo ferroviário que deverá ligar Malanje ao Cuito e Menongue, criando uma ligação entre os três caminhos-de-ferro e reforçando a capacidade de escoamento da produção para os principais mercados consumidores.</p><p>A informação foi avançada pelo ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu, durante a 23.ª edição do CaféCIPRA, realizada quarta-feira, 19 de Agosto, no Memorial Dr. António Agostinho Neto, em Luanda, sob o tema “A construção de estradas como alavanca à produção nacional”.</p><p>Segundo o governante, a nova ligação permitirá colocar o eixo central da rede ferroviária “outra vez no centro do país”, aproximando as infra-estruturas dos centros de produção e criando melhores condições para a circulação de mercadorias.</p><p>“Temos hoje, e aproveitando as infra-estruturas que temos, outras que estamos nesta altura a investir, que são os nossos caminhos- de -ferro ligados aos portos”, explicou.</p><p>Ricardo de Abreu referiu que a integração dos três caminhos-de-ferro, através de uma ligação que deverá partir de Malanje em direcção ao Cuito e Menongue, constitui uma das apostas do Executivo para aumentar a capacidade de transporte e escoamento da produção nacional.</p><p>A iniciativa enquadra-se na estratégia de promoção dos corredores de desenvolvimento e na transformação estrutural da economia angolana, com objectivo de fortalecer a produção interna, reduzir a dependência das importações e aumentar a capacidade de exportação.</p><p>Para o ministro, esta transformação exige uma actuação coordenada entre os sectores das infra-estruturas, produção e transportes, bem como uma participação mais activa do sector privado.</p><p>Apesar dos investimentos no sector ferroviário, Ricardo de Abreu destacou o papel estratégico da rede rodoviária, afirmando que as estradas continuam a ser as infra-estruturas que mais carga movimenta no país.</p><p>“As estradas são, de longe, as infraestruturas que mais carga transporta para o nosso país”, afirmou, defendendo a necessidade de uma rede rodoviária cada vez mais eficiente, segura e rápida, sobretudo nas ligações entre as zonas de produção e os mercados consumidores.</p><p>O ministro sublinhou ainda que os investimentos em infra-estruturas devem acompanhar o crescimento demográfico previsto para as próximas décadas.</p><p>“Dentro de sensivelmente 20, 25 anos, nós teremos o dobro da população que temos hoje”, afirmou, alertando para a necessidade de aumentar a capacidade de produção, distribuição e conservação de alimentos.</p><p>No encontro, a agricultura familiar foi apontada como um dos segmentos que mais necessita de uma cadeia logística integrada.</p><p>Segundo Ricardo de Abreu, enquanto alguns produtores empresariais já conseguem assegurar, com investimento próprio, parte significativa da logística até aos mercados consumidores, a agricultura familiar enfrenta maiores dificuldades no transporte, armazenamento e conservação da produção.</p><p>O governante alertou, por isso, para as perdas agrícolas provocadas pela insuficiência de estruturas logísticas adequadas e defendeu uma maior articulação entre produção, transporte, armazenamento e comercialização.</p><p>Neste domínio, destacou a dinamização da rede de plataformas logísticas, desenvolvida com recurso a parcerias com o sector privado.</p><p>Como exemplo, indicou a plataforma logística da Caála, onde está a ser implementado um sistema de frio com contentores frigoríficos alimentados por painéis solares, destinado à conservação da produção agrícola antes da sua chegada aos mercados.</p><p>A solução, segundo o ministro, deverá ser replicada noutras regiões do país, incluindo o Namibe e zonas do norte de Angola.</p>