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Governo |
27-08-2026 11:02:40
| Fonte: CIPRA
RDC - ANGOLA
Félix Tshisekedi quer reforço da cooperação nos sectores das infra-estruturas e comércio
<p>O Presidente da República Democrática do Congo (RDC), Félix Tshisekedi, defendeu o reforço da cooperação com Angola, com prioridade para os sectores das infra-estruturas, energia, investimentos, comércio e emprego.</p><p>Em declarações à imprensa esta quarta-feira, 26 de Agosto, em Kinshasa, após testemunhar a assinatura de novos acordos de cooperação entre os dois países, o Chefe de Estado congolês afirmou que a excelência das relações políticas entre Angola e RDC deve traduzir-se em resultados concretos para as populações.</p><p>Para o Presidente congolês, a fronteira comum deve deixar de ser vista como uma linha de separação e passar a constituir um espaço de circulação, produção, cooperação e prosperidade.</p><p>Félix Tshisekedi destacou, particularmente, o papel estratégico do Corredor do Lobito, que considerou um instrumento de integração africana, soberania económica e melhoria das condições de vida das populações.</p><p>Segundo o Presidente congolês, a ambição dos dois países não se deve limitar à criação de um corredor destinado à evacuação de matérias-primas, mas propiciar construção de uma infra-estrutura capaz de promover a produção, transformação e criação de valor.</p><p>No domínio ferroviário, Félix Tshisekedi anunciou o compromisso de trabalhar com Angola para garantir uma ligação fluída e segura entre Sakania, Lubumbashi, Kolwezi, Dilolo, Luau e o Porto do Lobito.</p><p>Os dois governos deverão igualmente acelerar a harmonização das operações ferroviárias, coordenação da manutenção, a transparência das tarifas, a facilitação aduaneira, a partilha de dados e a melhoria da passagem fronteiriça entre Dilolo e Luau.</p><p>O Presidente da RDC salientou ainda a necessidade de serem desenvolvidas infra-estruturas complementares, incluindo ligações rodoviárias transfronteiriças, posto fronteiriço integrado, portos secos, plataformas logísticas, zonas industriais, fibra óptica e soluções energéticas.</p><p>Um dos principais marcos da visita foi a assinatura do contrato de concessão relativo à linha ferroviária Dilolo-Sakania, considerada essencial para o desenvolvimento do Corredor do Lobito.</p><p>Com cerca de 1.004,5 quilómetros de extensão, a linha ligará Dilolo a Sakania, passando por importantes centros como Kolwezi, Tenke e Lubumbashi.</p><p>O projecto prevê um investimento indicativo de 1,258 mil milhões de dólares norte-americanos, destinado aos estudos, reabilitação, modernização, extensão, exploração e manutenção da linha, com um período de concessão de 30 anos.</p><p>Félix Tshisekedi esclareceu que o contrato não representa a privatização da Sociedade Nacional dos Caminhos -de -Ferro do Congo (SNCC), nem cria um monopólio ferroviário, pois a linha permanecerá aberta a operadores qualificados, em condições transparentes e não discriminatórias.</p><p>A cooperação energética também esteve entre os temas abordados pelos dois Chefes de Estado.</p><p>Angola e RDC acordaram em dar novo impulso à operacionalização da Zona de Interesse Comum no domínio dos hidrocarbonetos e acelerar os acordos relacionados com o abastecimento pela Sonangol.</p><p>No sector da electricidade, os dois países reafirmaram a intenção de acelerar as interligações já identificadas, incluindo o abastecimento das regiões congolesas que dele necessitam, particularmente o Grande Katanga.</p><p>Para o Presidente da RDC, a energia constitui uma condição essencial para concretizar as ambições dos dois países nos sectores ferroviário, mineiro, agrícola e industrial.</p><p>Félix Tshisekedi considerou que os acordos assinados representam apenas o início de uma responsabilidade comum e apelou aos dois governos para passarem “das intenções às realizações, dos acordos às infra-estruturas e dos compromissos aos resultados”.</p><p>O Presidente congolês destacou ainda a importância da criação de empregos, formação da juventude, desenvolvimento de competências nacionais, participação de empresas locais e transferência efectiva de tecnologia.</p><p>Na mesma ocasião, o líder congolês saudou o empenho do Presidente João Lourenço e de Angola na promoção da paz, estabilidade regional e resolução pacífica dos diferendos, sublinhando que não pode existir integração económica duradoura sem paz, nem verdadeira prosperidade sem segurança.</p>