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Governo |
31-08-2026 00:03:53
| Fonte: CIPRA
PRESIDENTE DA COMISSÃO DA UNIÃO AFRICANA
Fundo de Paz da UA é frágil e quase inoperante
<p>O presidente da Comissão da União Africana (UA) Mahmoud Ali Youssouf, alertou para a fragilidade do Fundo de Paz da organização, que considerou “quase inoperante”, e defendeu a aceleração das reformas para reforçar a capacidade africana de resposta aos conflitos.</p><p>Ao discursar na 21.ª Sessão da Conferência Extraordinária dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf afirmou que as actuais parcerias com as Nações Unidas e outros organismos também não correspondem plenamente às expectativas do continente.</p><p>Esta situação, disse, exige maior vontade política dos Estados-membros da UA e a consolidação dos mecanismos africanos de prevenção e resolução de conflitos.</p><p>“Cabe a nós acelerar o ritmo das reformas, apoiar-nos na vontade política e, na palavra dos nossos Estados-membros, consolidar os mecanismos funcionais e promover a diplomacia preventiva”, salientou.</p><p>Neste sentido, destacou a importância da concertação permanente entre o Conselho de Paz e Segurança, a Comissão da União Africana, os Estados-membros, as comunidades económicas regionais e os mecanismos regionais, considerando-a “pedra angular” da acção colectiva.</p><p>Perante o crescimento das ameaças emergentes, o presidente da Comissão da UA alertou que estas ultrapassam, em muitos casos, a capacidade individual dos Estados-membros, e defendeu uma resposta baseada na solidariedade activa e na partilha de recursos.</p><p>“A solidariedade activa e a partilha dos recursos face ao terrorismo e ao crime transnacional são passos indispensáveis”, sublinhou.</p><p>Para Mahmoud Ali Youssouf, África tem a obrigação de adaptar os seus meios e estratégias às novas realidades, de modo a responder de forma mais eficaz aos desafios de segurança que afectam o continente.</p><p>Em relação às mudanças inconstitucionais de governo, o presidente da Comissão da União Africana afirmou que a posição da organização permanece inalterada, assente na firmeza quanto ao cumprimento das regras, mas aberta ao diálogo e ao acompanhamento das situações.</p><p>O responsável reconheceu que os desafios relacionados com a paz e a segurança em África não têm soluções imediatas, sendo necessário um trabalho de longo prazo.</p><p>“Não existem soluções milagrosas para estes desafios. Trata-se de um trabalho de longa duração”, afirmou, apontando a persistência de algumas crises como os da Somália e da República Democrática do Congo.</p><p>SOBERANIA PAN-AFRICANA</p><p>Durante a sua intervenção, Mahmoud Ali Youssouf defendeu uma maior soberania pan-africana em matéria de paz e segurança, através do reforço da capacidade da União Africana, da consolidação do papel das comunidades económicas regionais e dos mecanismos regionais e da criação de mecanismos de financiamento adequados.</p><p>As Nações Unidas, acrescentou, devem assumir plenamente o seu papel na manutenção da paz mundial e implementar decisões relevantes do Conselho de Segurança relativas ao financiamento das operações de paz africanas.</p><p>O presidente da Comissão da UA, apontou a existência de crises persistentes em diferentes regiões do continente, desde o Sudão ao Leste da República Democrática do Congo (RDC), à Somália ao Sahel, à Líbia ao Norte de Moçambique, incluindo ainda a situação em Madagáscar.</p><p>“África continua igualmente exposta a riscos emergentes, como o terrorismo, o extremismo violento, a pirataria e os maus-tratos aos imigrantes, referiu, tendo alertado também para o impacto da criminalidade transnacional e da competição geopolítica internacional, que “contribuem para agravar as crises existentes no continente”.</p><p>“Chegou a hora das reformas”, declarou, propondo que o processo deve começar pelo reforço do mecanismo continental de alerta prévio, porque “não há dúvida que a prevenção continua a ser o nosso calcanhar de aquiles”.</p>