PORTAL CIPRA
Menu mobile
Início
Notícias
Discursos
Galeria
Imagens
Vídeos
PT
EN
FR
ES
Notícia
Governo |
31-08-2026 00:05:32
| Fonte: CIPRA
CIMEIRA EXTRAORDINÁRIA DA UA
Presidente burundês sugere abordagem mais eficaz para prevenção de conflitos em África
<p>O presidente em exercício da União Africana (UA), Evariste Ndayishimiye, defende uma abordagem mais eficaz para prevenção de conflitos em África, ao invés de uma resposta tardia.</p><p>Ao discursar este domingo, 30 de Agosto, em Luanda, na abertura da 21.ª Sessão Extraordinária da Conferência Extradodinária dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana, o Chefe de Estado do Burundi afirmou que África não carece de mecanismos de paz e segurança, pois já dispõe de instrumentos como o Conselho de Paz e Segurança, o Sistema Continental de Alerta Precoce, o Grupo dos Sábios, as Forças Africanas em Estado de Alerta e o Fundo para a Paz, além de mecanismos de mediação e diplomacia preventiva.</p><p>“Acontece frequentemente que identificamos os primeiros sinais de uma crise, mas só intervimos quando a situação já está quase fora do controle”, lamentou, frisando que a responsabilidade colectiva dos Estados africanos consiste em garantir que os mecanismos de alerta precoce se traduzam efectivamente numa resposta rápida aos conflitos no continente.</p><p>Evariste Ndayishimiye defendeu o reforço do papel preventivo do Conselho de Paz e Segurança, o desenvolvimento ou uma visão estratégica, bem como o asseguramento de uma melhor articulação entre a arquitectura africana de paz e segurança e a arquitectura africana de governação.</p><p>Segundo o Presidente do Burundi, os conflitos têm as suas raízes na falta de governação, na fragilidade das instituições, na exclusão política, nas desigualdades ou na injustiça social e na ausência de perspectivas para a pessoas, em particular os jovens.</p><p>“Estou entre aqueles que pegaram em armas contra o poder do Estado, não por mero prazer, mas pela necessidade de reparar injustiças multifacetadas que assolavam o meu país”, admitiu, numa referência à sua própria experiência no Burundi.</p><p>Para Evariste Ndayishimiye, a prevenção consiste em abordar mais as causas profundas do que as manifestações imediatas das crises. A pobreza, acrescenta, não é uma causa em si, mas um dos factores que favorecem os conflitos, porque “quem tem fome não tem ouvidos”.</p><p>No seu ponto de vista, a distribuição inadequada dos recursos e a má gestão dos recursos públicos constituem factores desencadeadores de crises, uma vez que as pessoas em situação de precariedade e de desespero são facilmente mobilizadas para a violência.</p><p>“Tornar uma frente comum contra a pobreza, garantir a igualdade e a justiça social para todos e garantir a sua protecção sem discriminação previne de forma duradoura a beligerância na sociedade”, alertou.</p><p>Quando a prevenção falha e um conflito inclode, prosseguiu, a responsabilidade dos Estados africanos não se deve limitar às negociações e à assinatura de um acordo de paz.</p><p>“Devemos investir na reconciliação, na reconstrução e no desenvolvimento pós-conflito, a fim de garantir que tal situação não se repita”, propôs.</p><p>Evariste Ndayishimiye advertiu, contudo, que os Estados africanos não têm, por si só, capacidade para responder a todas as exigências associadas à prevenção e gestão de conflitos, por não disporem de capacidade suficiente para suportar o peso dos processos de prevenção, gestão e resolução de conflitos.</p><p>Por isso, defendeu uma maior intervenção dos mecanismos regionais e continentais, em articulação com as Nações Unidas e parceiros estratégicos.</p><p>“Não haverá uma apropriação africana sustentável da nossa agenda de paz e segurança sem um financiamento africano previsível, sustentável e flexível”, salientou.</p><p>Neste contexto, Evariste Ndayishimiye apelou à continuação do reforço do fundo de paz da União Africana e à aceleração da sua capitalização progressiva, de modo a dotar a organização dos meios necessários para responder às suas ambições no domínio da paz e segurança.</p>