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Governo |
08-09-2026 20:37:34
| Fonte: CIPRA
COOPERAÇÃO
Angola e Botswana unem esforços para defender mercado de diamantes naturais
<p>Angola e o Botswana vão reforçar a cooperação no sector dos diamantes, com o objectivo de proteger e valorizar a produção de diamantes naturais, perante o crescente interesse em diamantes sintéticos no mercado internacional.</p><p>Esta posição foi transmitida à imprensa, esta terça-feira, 8 de Setembro, em Luanda, pelo Presidente da República, João Lourenço, na presença do seu homólogo do Botswana, Duma Boko, após a assinatura de três instrumentos jurídicos entre os dois países.</p><p>O Chefe de Estado angolano destacou a importância da indústria diamantífera para as duas economias, que figuram entre os maiores produtores do continente africano e entre os principais produtores mundiais de diamantes naturais.</p><p>“Diamante só é diamante aquele que é natural. Mas essa indústria que traz bastantes receitas para os nossos países, para o desenvolvimento dos nossos países, vem sendo ameaçada pelo surgimento repentino do chamado diamante sintético, que é feito em laboratório, não vem da natureza”, sublinhou.</p><p>Segundo o Presidente João Lourenço, o surgimento e a expansão dos diamantes produzidos em laboratório representam uma ameaça à comercialização da produção natural, sobretudo devido ao preço mais baixo dos produtos sintéticos.</p><p>“Vamos trabalhar de mãos dadas para continuarmos a valorizar o nosso diamante, uma vez que ele dá emprego ao nosso povo, aos nossos jovens e traz receitas para serem investidas em programas sociais, na saúde, na educação, nas infra-estruturas, de forma que possamos desenvolver os nossos países”, afirmou.</p><p>Por sua vez, o Presidente do Botswana apontou a forma como os diamantes são transaccionados como um dos principais desafios que afectam actualmente o sector.</p><p>Duma Boko referiu que o Botswana está a desenvolver uma “campanha robusta de marketing” dos diamantes provenientes dos países produtores, iniciativa que pretende reforçar a posição do produto no mercado internacional.</p><p>Neste sentido, manifestou o interesse do seu país em trabalhar com Angola, “igualmente um importante produtor de diamantes”, para assegurar que o sector continue a contribuir para as economias nacionais.</p><p>“Esperamos ansiosamente, neste sentido, trabalhar com a Angola, que é grande produtora de diamante também, e garantir que este produto continue a empoderar e a alimentar as nossas economias e apoiar vidas”, referiu.</p><p>O Presidente do Botswana destacou a convergência de posições entre os dois países em várias matérias, tendo Angola um parceiro importante no contexto regional e continental.</p><p>DOSSIER DE BEERS</p><p>Por outro lado, o Presidente angolano reafirmou o interesse de Angola em tornar-se accionista da De Beers, afirmando que o país está a trabalhar com todas as partes interessadas, em particular com o Botswana, que já integra a estrutura accionista da companhia.</p><p>Segundo João Lourenço, um entendimento com o Botswana poderá facilitar a concretização do objectivo angolano de conquistar uma quota relevante no capital da De Beers.</p><p>“Sendo Angola e o Botswana os dois maiores produtores de diamantes do continente, e não havendo tantos produtores de diamantes no mundo, penso que é justo que passemos a ser também accionistas da De Beers”, disse.</p><p>Desta forma, acrescentou, vai se poder controlar melhor a produção, sobretudo a comercialização desta importante commodity que é o diamante natural.</p><p>Por seu turno, o Presidente do Botswana afirmou que as negociações têm sido longas e que se encontram numa fase em que as partes mantêm reserva sobre os detalhes do processo.</p><p>“No tempo certo, quando o acordo for feito, vamos fazer os devidos anúncios. É suficiente, neste momento, dizer que Angola tem estado envolvida. Temos estado a interagir com Angola e temos tido boas deliberações. Estamos no bom caminho com Angola”, acrescentou.</p>