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Governo |
12-10-2026 19:51:39
| Fonte: SACII
FÓRUM MUNDIAL DA ALIMENTAÇÃO
Discurso do Presidente da República
<p><img src="https://static.xx.fbcdn.net/images/emoji.php/v9/t4c/1/16/25aa.png" alt="▪️">ROMA, 12 OUTUBRO 2026 <img src="https://static.xx.fbcdn.net/images/emoji.php/v9/t4c/1/16/25aa.png" alt="▪️"></p><p>-Sua Majestade Letsie III, Rei do Lesotho,</p><p>-Sua Excelência Luis Abinader, Presidente da República Dominicana,</p><p>-Sua Excelência Delcy Rodrígues Gómez, Presidente em Exercício da República Bolivariana da Venezuela,</p><p>-Sua Excelência Maria José Pinto, Vice-Presidente do Equador,</p><p>-Sua Excelência Ellen Johnson Sirleaf, Antiga Presidente da República da Libéria,</p><p>-Excelentíssimo Senhor Qu Chu Dongyu, Director Geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura,</p><p>-Representantes das Associações Juvenis,</p><p>-Excelências,</p><p>-Minhas Senhoras, Meus Senhores,</p><p>Permitam-me agradecer ao Sr. Chu Dongyu, Director Geral da FAO, pelo convite que me endereçou e pela oportunidade que disso decorre, de poder contribuir ao debate deste ano, cujo lema “Inovar Hoje para Alimentar Amanhã” encerra uma alta transversalidade de disciplinas e apela à responsabilidades que são simultaneamente nacionais e globais.</p><p>Aceitei o convite para participar deste Fórum Mundial da Alimentação de 2026 para, juntamente com Vossas Excelências, nesta bela cidade de Roma, expressar a minha convicção de que o tema que hoje abordamos aqui vai de encontro aos grandes desafios do nosso tempo.</p><p>O Director Geral lançou esta iniciativa desde o ano de 2021, como uma plataforma voltada para a reflexão sobre os caminhos a seguir para assegurarmos que a transformação dos sistemas alimentares acompanhe as profundas mudanças económicas, sociais, ambientais e tecnológicas da nossa era.</p><p>-Minhas Senhoras, Meus Senhores,</p><p>Olhando para o mundo dos nossos dias, observamos com inquietação os paradoxos que o caracterizam, sobretudo porque a abundância de alimentos disponível nos países desenvolvidos em virtude da sua grande capacidade tecnológica e produtiva contrasta dolorosamente com a dificuldade de acesso a alimentos de milhões de pessoas em vastas regiões do nosso planeta, que continuam confrontadas com a fome e a má nutrição.</p><p>Estamos diante de uma evidência que exige de todos nós uma atitude capaz de ajudar a pôr fim a este flagelo, que do ponto de vista moral nos impele a agir com urgência para passarmos da simples constatação dos factos para iniciativas que devem ir desde a capacitação técnica, passando pela transferência de tecnologias, até à mobilização de recursos destinados ao investimento no sector agrícola dos países menos desenvolvidos.</p><p>Além das limitações técnicas e outras, os problemas da fome devem-se também a um conjunto de outros factores ligados ao eclodir cíclico de conflitos armados com consequências negativas directas sobre a produção, que perturbam as cadeias logísticas globais de abastecimento e geram efeitos humanitários desastrosos e a ocorrência de alterações climáticas cada vez mais violentas, que trazem consigo as tempestades, chuvas torrenciais, cheias, inundações, secas severas, a desertificação e o aumento de pragas.</p><p>A segurança alimentar é um objectivo e uma prioridade que só se conseguirá concretizar com benefícios para todos, no quadro de um esforço conjugado em que, em função das responsabilidades e valências específicas de cada um, devem intervir governos, o sector privado, instituições científicas, organizações não-governamentais, a sociedade civil e outras entidades que, no seu conjunto, garantem a abordagem transversal desta importante questão e a possibilidade de uma solução integrada do problema.</p><p>É urgente trabalharmos no sentido de aperfeiçoar o modelo de cooperação internacional, que se deve orientar no sentido de abandonar a lógica assente na dominação de uns sobre outros e na obtenção de vantagens que ignoram interesses de terceiros, factos que geram tensões e inviabilizam o diálogo e a concertação necessárias à formulação e à implementação de estratégias que garantam a paz, a estabilidade e a segurança mundial, em cujo âmbito conseguiremos promover e desenvolver mais facilmente as nossas economias e acabar ou reduzir consideravelmente a fome e a miséria em diferentes nações e regiões do nosso planeta.</p><p>A erradicação do flagelo da fome no mundo exige respostas colectivas e, por esta razão, considero que este Fórum Mundial da Alimentação é a plataforma adequada para se pensar numa arquitectura de segurança alimentar que tenha em conta os factores de natureza política, financeira, técnica, científica e outros que intervêm nas capacidades de produção agrícola e no seu melhoramento em todo o mundo.</p><p>Isto coloca-nos diante da percepção de que a inovação deve ser vista de uma forma abrangente e não circunscrita apenas à sua dimensão tecnológica.</p><p>-Excelências,</p><p>África possui um enorme e vasto potencial de recursos para desenvolver uma agricultura florescente. No entanto, confronta-se com o problema da fome e da desnutrição, o que não é, a todos os títulos, aceitável, mas impõe-se que se reconheça que as realidades que se observam no continente são o reflexo da combinação dos vários factores que já enumerei, de entre os quais os conflitos armados, os problemas que decorrem das alterações climáticas e da necessidade da capacitação das pessoas para o fomento da agricultura familiar, que é, na verdade, a espinha dorsal do nosso sistema de produção alimentar.</p><p>Este é o diagnóstico dos problemas que ainda enfrentamos em África neste sector e, por isso, impõe-se-nos agora o desafio de reverter este quadro com políticas realistas concebidas com base nas nossas capacidades de utilização dos meios técnicos e tecnológicos disponíveis, no melhoramento das práticas assentes sobre os conhecimentos tradicionais e na formação das pessoas a todos os níveis.</p><p>África tem o potencial para ser o celeiro do mundo, dispõe de abundantes terras aráveis, imensos cursos de água entre rios e grandes lagos, no geral bom clima, sol.</p><p>Precisamos de investidores com recursos, tecnologia e transmissão de conhecimento aos nossos jovens para aumentarmos a produtividade por hectare, a qualidade do produto colhido e o volume global de produção, aumentar as exportações de produtos agrícolas e pecuários, contribuindo mais para a formação do Produto Interno Produto dos nossos países.</p><p>Em Angola concebemos e estamos a executar um ambicioso Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul do país (PCESSA), que abrange as províncias do Cunene, Huíla e Namibe, orçado em 4.2 mil milhões de dólares americanos, já parcialmente executado e que vai contribuir significativamente no combate contra a fome e a pobreza.</p><p>O Programa compreende a construção de albufeiras para armazenar milhões de metros cúbicos de água transferida do rio Cunene e centenas de quilómetros de canais a céu aberto para servir as pessoas e desenvolver a agricultura e pecuária em qualquer estação climática do ano.</p><p>Para o salto em frente que pretendemos dar na agropecuária em Angola, temos contado com uma forte contribuição da FAO, com a qual desenvolvemos uma cooperação profícua.</p><p>Esta cooperação tem contribuído para a definição de prioridades, cuja execução já mostrou resultados positivos que nos encorajam a prosseguir, por nos ter ajudado a alcançar um bom resultado no esforço que desenvolvemos de aproximar zonas de produção, centros de transformação alimentar e mercados.</p><p>Quero também dar destaque neste contexto à Iniciativa Hand-in-Hand e à Iniciativa AgroCorredores, por constituírem instrumentos relevantes para a promoção de oportunidades de investimento, de desenvolvimento do agronegócio e de aumento da competitividade do sector agrícola nacional.</p><p>Este processo só é funcional se conseguirmos criar corredores económicos que permitam a actividade comercial e a circulação de pessoas e bens com a fluidez que estamos a projectar para o Corredor do Lobito, que não tem apenas uma dimensão logística, pois pode estimular a criação de indústrias, novas cadeias regionais de valor ligando o potencial produtivo de diferentes países aos mercados regionais e internacionais.</p><p>O Corredor do Lobito é uma plataforma de oportunidades capaz de beneficiar as populações e de contribuir para uma maior integração económica do continente, em articulação com os mecanismos africanos existentes, de que destaco a Zona de Livre Comércio Continental Africana, que representa um vasto mercado de aproximadamente 1 bilião e meio de consumidores.</p><p>África tem objectivos claramente definidos na Agenda 2063 de desenvolvimento continental, no âmbito da qual as prioridades de maior destaque consistem na construção de infra-estruturas que intervêm muito directamente em todo o processo de criação de factores de desenvolvimento, no âmbito dos quais a agricultura assume uma importância vital.</p><p>Não temos alternativa a este caminho que temos vindo a percorrer, conscientes de que os obstáculos que vimos transpondo, resultantes de factores imprevisíveis como a seca, as inundações e outros, nos obrigam a um esforço de adaptação com recurso a tecnologias, técnicas e conhecimentos científicos que reforcem a resiliência dos sistemas alimentares globais face às intempéries.</p><p>A FAO tem, neste contexto, um papel fundamental a desempenhar, não apenas como um espaço de concertação política, mas também como plataforma para aproximar governos, o mundo académico e científico, as instituições financeiras, o sector privado e a sociedade civil na abordagem e na busca de soluções para estes problemas.</p><p>-Excelências,</p><p>Este Fórum, que tem o objectivo de providenciar uma plataforma de interacção entre os vários protagonistas dos sistemas alimentares, encerra uma abrangência que inclui o Fórum da Ciência e da Inovação e o Fórum Global da Acção Juvenil, duas iniciativas que, de forma conjugada, vão desempenhar um importante papel na concretização do lema “Inovar Hoje para Alimentar Amanhã”.</p><p>Esta edição do Fórum merece da nossa parte uma atenção muito especial por ter a particularidade de dar uma grande ênfase à investigação como meio de se promover um progresso sustentável mais equitativo e eficiente.</p><p>Também é importante para Angola, por nos dar a oportunidade de dar a conhecer aos presentes e ao mundo a nossa decisão, já concertada com a União Africana, de apresentar a engenheira angolana como concorrente ao lugar de Director Geral da FAO.</p><p>Trata-se da Embaixadora Josefa Leonel Correia Sacko, que desempenhou por três anos as funções de Secretária-Geral da Organização Inter-Africana do Café e as funções de Comissária da União Africana para Agricultura, Desenvolvimento Rural, Economia Azul e Ambiente Sustentável, de 2017 a 2024.</p><p>Por acreditarmos que, caso venha a assumir a responsabilidade de estar à frente dos destinos da FAO, fará um bom trabalho não apenas para o continente africano mas para a segurança alimentar à escala global, pedimos o apoio de todos para sua eleição.</p><p>Faço votos de que, no fim dos trabalhos deste Fórum, cheguemos a resultados que ajudem a mudar, de forma prática, o actual panorama mundial da produção de alimentos que nos conduza à segurança alimentar e a uma prosperidade partilhada à escala global.</p><p>Muito obrigado pela vossa atenção.</p>