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Governo |
19-10-2026 21:10:43
| Fonte: CIPRA
DECLARAÇÕES À IMPRENSA
Presidente da República de Angola
<p>“ Senhora Presidente Netumbo Nandi-Ndaitwah;</p><p>Senhores membros da delegação da Namíbia e da delegação de Angola;</p><p>Temos o privilégio de receber, no nosso solo pátrio, para cumprir uma visita de Estado, a Presidente da República da Namíbia, com quem estamos a trabalhar desde as primeiras horas do dia de hoje. Primeiro num tête-à-tête e depois num trabalho entre as duas delegações.</p><p>Falar das relações entre Angola e a Namíbia é falar dos laços de irmandade e de amizade entre dois povos que muito se querem. E é esta relação de irmandade e amizade que serve de uma base sólida, um alicerce para a construção dos laços de cooperação económica que vimos construindo e que queremos consolidar.</p><p>Daí o facto de termos evoluído de uma Comissão Mista Bilateral entre os dois Estados para uma Comissão Binacional. Portanto, um outro estádio mais elevado de organização da cooperação entre dois países.</p><p>Foi realizada a primeira sessão dessa Comissão Binacional, cuja acta, na presença dos dois Chefes de Estado, foi aprovada no final desta manhã.</p><p>Nós pretendemos, nessa cooperação económica entre os dois países, privilegiar algumas áreas sem prejuízo de outras. Portanto, quero dizer que todas estão em aberto.</p><p>Gostaríamos de privilegiar o sector da Energia e Águas, sobretudo com a possibilidade da ligação da rede energética de Angola à rede energética da SADC ou da África Austral, com objectivo de partilhar a infra-estrutura energética de produção que Angola tem partilhada com os países irmãos da África Austral, nomeadamente a própria Namíbia, a África do Sul, o Botswana, o Zimbabwe e, eventualmente, mais algum país que se queira juntar a esse esforço.</p><p>A nível do continente, temos lutado bastante pela integração de infra-estruturas. Cada país não tem que fazer tudo. Se alguém tem capacidade de vender produtos e serviços aos países vizinhos, deve fazê-lo no quadro dessa mesma integração.</p><p>Portanto, é nesse quadro que se encaixa perfeitamente essa nossa intenção de partilharmos a energia produzida em Angola com os países irmãos da África Austral.</p><p>Em relação à água, Angola está a viver uma experiência de construção de barragens de armazenamento de água e canais para servir as populações, o gado e a agricultura.</p><p>No Sul de Angola, temos um programa que abrange pelo menos três províncias do país, nomeadamente a Huíla, o Cunene e o Namibe, tem mais ou menos as mesmas características do Norte da Namíbia. São áreas bastante áridas e que, em determinadas épocas do ano, sofrem de seca severa, que põe em risco a vida de pessoas, a vida do gado e inviabiliza a produção agrícola.</p><p>Nós, Angola, dissemos aos nossos irmãos namibianos que estamos abertos a partilhar essa experiência que é recente, mas que, confirmamos, tem dado resultados satisfatórios e que garante, portanto, a superação das dificuldades criadas pelas secas severas.</p><p>Temos vindo, igualmente, a partilhar a experiência que Angola tem na pesquisa e produção do petróleo. Como sabem, a Namíbia hoje entrou para o clube dos países produtores do petróleo, embora efectivamente não tenha começado ainda a produzir, mas isso vai acontecer.</p><p>E Angola já tem vindo a cooperar com a Namíbia, a partilhar a longa experiência que tem no domínio da pesquisa, da produção e da comercialização do petróleo. Mas convidamos também a Namíbia a integrar a estrutura accionista da nossa grande Refinaria do Lobito, que terá a capacidade, quando concluídos os trabalhos de construção, de produzir 200 mil barris por dia de refinados do petróleo (diesel, gasolina e outros derivados).</p><p>Com esta capacidade, nós estaremos em condições não apenas de satisfazer o mercado angolano em refinados, como também de satisfazer as necessidades dos países vizinhos - evidentemente aqueles que, prioritariamente, forem accionistas, forem donos da refinaria, sem prejuízo de podermos também comercializar o mesmo produto para outros clientes aqui da nossa região da África Austral.</p><p>Nós vamos trabalhar também em outros domínios da nossa economia.</p><p>Falando da produção de energia, há um velho projecto que precisamos de dar vida para que efectivamente arranque. Estou a falar da Barragem Hidroelétrica de Byanes, que é um projecto binacional - Angola-Namíbia - para produzir energia a ser consumida pelos dois países.</p><p>Vimos outros aspectos que consideramos importantes da nossa cooperação.</p><p>Obviamente que há possibilidade de angolanos investirem na Namíbia e, de igual forma, namibianos investirem em Angola, nos mais diferentes domínios da nossa economia.</p><p>Eu dizia há pouco à Senhora Presidente Netumbo Nandi que nós temos no nosso país investidores oriundos das mais diferentes partes do mundo, que se instalaram em Angola. Não se limitam a vender produtos a Angola, mas instalaram-se em Angola e produzem bens de consumo aqui no território angolano.</p><p>Gostaríamos de ver também investidores namibianos a fazerem o mesmo e o contrário também é verdadeiro, ver investidores angolanos produzirem e a comercializarem bens de consumo na Namíbia.</p><p>Mais uma vez, Senhora Presidente Netumbo Nandi, sinta-se em casa!</p><p>Sabemos que a visita é curta, é de apenas dois dias.</p><p>Esta tarde vai ter a oportunidade de falar para os nossos deputados à Assembleia Nacional. Ainda hoje, terá o Fórum Empresarial, onde os empresários dos dois países se vão encontrar para se conhecerem, para trocarem experiências, para fazerem parcerias e começarem a tornar realidade isso que eu acabo de dizer.</p><p>Amanhã terá um contacto com uma empresa nacional, a Refinaria de Luanda, para que possa começar já a referir a importância dos nossos países não exportarem as nossas riquezas em bruto e procurarem transformá-los localmente, acrescentando valor e dando emprego às nossas populações.</p><p>Estou a referir-me ao petróleo que temos habitualmente exportado na sua forma bruta. Mas hoje, nos dias de hoje, com as guerras na Europa e no Médio Oriente, no Golfo Pérsico, aprendemos todos, talvez tarde, que quem tem petróleo tem que ter refinarias, tem que concluir o trabalho, não pode ficar como produtor de petróleo simplesmente, porque tem que refinar, até porque há quem não tenha petróleo, não exporte o petróleo e tenha refinarias.</p><p>Portanto, nós, os produtores de petróleo, por maioria de razão, temos que prestar muita atenção à necessidade de vendermos cada vez menos petróleo bruto e passarmos a vender muito mais o petróleo já refinado - os produtos saídos da refinação do petróleo.</p>